Rio do Sul inaugura monumento em homenagem aos veteranos da FEB do Alto Vale

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Jor. Marcelo Zemke

Monumento em Rio do Sul homenageia veteranos da FEB e eterniza a memória do ibiramense Lindo Sardagna, soldado morto em combate na Itália durante a Segunda Guerra Mundial

Marcelo Zemke

Rio do Sul passou a contar, a partir desta quinta-feira (16), com um novo monumento em homenagem aos veteranos da Força Expedicionária Brasileira (FEB) que participaram da Segunda Guerra Mundial. A cerimônia de inauguração foi realizada no Museu Histórico e Cultural Victor Lucas, no Centro da cidade, reunindo autoridades, familiares de expedicionários e representantes da comunidade.

O memorial foi instalado em um espaço de destaque ao lado do museu, substituindo a antiga placa com os nomes dos veteranos que ficava no Estádio Municipal e havia sido removida. Agora, os expedicionários passam a ser lembrados em um local permanente dedicado à preservação da história regional.

O novo monumento é composto por um arco com os nomes dos integrantes da Seção Regional da FEB de Rio do Sul, além de esculturas em tamanho real de um soldado brasileiro e de um canhão, obras do artista catarinense Ademir Russo dos Santos, natural de Salete.

Durante a solenidade, familiares dos ex-combatentes receberam certificados em reconhecimento ao legado deixado pelos veteranos. A iniciativa é da Fundação Cultural de Rio do Sul, em parceria com a Prefeitura e a Câmara de Vereadores.

Homenagem aos expedicionários do Alto Vale

O monumento homenageia os veteranos da antiga Seção Regional de Rio do Sul, que abrangia municípios desde Rodeio até Pouso Redondo. Ao todo, o memorial reúne os nomes de dezenas de expedicionários que integraram a FEB durante a campanha da Itália.

Entre eles está Mário Nardelli, natural de Rio do Oeste, um dos personagens mais lembrados da história militar catarinense. Nascido em 16 de agosto de 1921, ele foi convocado em 1943, passando pelo 3º Regimento de Infantaria, em Itajaí, e posteriormente incorporado ao 2º Regimento de Infantaria, na Vila Militar, no Rio de Janeiro.

Em setembro de 1944 embarcou para a Itália no navio General Meigs, integrando o 11º Regimento de Infantaria da FEB. Atuava como telefonista da 1ª Companhia, função considerada uma das mais perigosas do campo de batalha, responsável por manter as comunicações entre as tropas durante os combates.

Durante uma ofensiva contra Monte Castello, em 12 de dezembro de 1944, o local onde estava foi atingido por bombardeios inimigos. Inicialmente dado como desaparecido, seu corpo foi encontrado apenas após a conquista definitiva de Monte Castello, em fevereiro de 1945, quando a neve derreteu. Segundo registros históricos, ele foi localizado com o telefone de campanha sobre o peito, o capacete ao lado e sua placa de identificação.

Lindo Sardagna: o herói de Ibirama que tombou na Itália durante a Segunda Guerra Mundial

De Ibirama, o soldado Lindo Sardagna integrou a Força Expedicionária Brasileira (FEB) e embarcou para a Itália em 22 de setembro de 1944, incorporando o 11º Regimento de Infantaria (11º RI). Durante a campanha militar, participou de operações contra as forças do Eixo e morreu em combate no dia 12 de dezembro de 1944, na localidade de Abetaia, tornando-se um dos expedicionários brasileiros que deram a vida pela defesa da liberdade e da democracia.

Lindo Sardagna nasceu em Rodeio no dia 14 de maio de 1919, filho de Fortunato Sardagna e Álida Lunelli Sardagna – por estar morando com a mãe viúva na região de Barra Dolmann (atualmente pertencente a José Boiteux), representou a cidade de Ibirama como soldado da Força Expedicionária Brasileira na Segunda Guerra Mundial, embarcando para o teatro de operações da Itália em 20 de setembro de 1944, com 25 anos.

Morreu em combate, em Abetaia, região próxima ao Monte Castelo, Itália. Ele e seus companheiros foram encontrados 2 meses depois, congelados sob a neve em posição de combate, com armas e granadas nas mãos, indicando que lutaram até o fim, sem se entregarem ao exército alemão. Estes 17 soldados ficaram conhecidos na literatura militar como “Os 17 de Abetaia”. Foi agraciado com as medalhas “Campanha Sangue do Brasil” e “Cruz de Combate de 2ª Classe” dada aos participantes de feitos excepcionais em batalha.

Em reconhecimento ao seu legado, Ibirama eternizou sua memória dando seu nome à Praça Lindo Sardagna, um dos espaços públicos mais conhecidos da cidade e símbolo da homenagem aos pracinhas que participaram da Segunda Guerra Mundial.

Soldado de Ibirama

A participação brasileira na guerra

A Força Expedicionária Brasileira foi formada por 25.834 militares e contou ainda com a participação de 67 mulheres, a maioria enfermeiras. Santa Catarina enviou 956 expedicionários para o conflito, entre eles cerca de 60 oficiais.

Durante a campanha na Itália, os brasileiros participaram de importantes batalhas, como Camaiore, Monte Prano, Monte Castello, Barga, Castelnuovo, Montese, Gaiano, Collecchio e Fornovo di Taro.

O saldo da participação brasileira registra 468 militares mortos em combate, 2.722 feridos, 35 prisioneiros e 16 desaparecidos. As tropas brasileiras também capturaram mais de 20 mil militares alemães durante a campanha.

Entre os catarinenses que integraram a FEB havia descendentes de imigrantes alemães, italianos, portugueses e açorianos, muitos oriundos do Alto Vale do Itajaí, Vale do Tijucas, Joinville, Blumenau e da Grande Florianópolis.

Memória preservada

A inauguração do monumento reforça o compromisso de Rio do Sul com a preservação da memória dos combatentes da Segunda Guerra Mundial e reconhece a contribuição dos homens da região que participaram de um dos maiores conflitos da história da humanidade.

A Segunda Guerra Mundial, travada entre 1939 e 1945, resultou na morte de mais de 70 milhões de pessoas em todo o mundo. Entre as maiores atrocidades do conflito está o Holocausto, no qual cerca de seis milhões de judeus foram assassinados pelo regime nazista.

Ao transferir os nomes dos veteranos para um monumento permanente ao lado do Museu Histórico e Cultural Victor Lucas, Rio do Sul oferece um espaço de honra e reflexão às futuras gerações, mantendo viva a lembrança dos expedicionários que representaram o Brasil nos campos de batalha da Itália.

O monumento é uma iniciativa da Fundação Cultural, Prefeitura de Rio do Sul e Câmara de Vereadores.

Feito inédito da FEB

FEB rendeu 15.079 soldados alemães

A Força Expedicionária Brasileira (FEB) conquistava sua última vitória, o que marcou um feito até então inédito na 2ª Guerra Mundial. As últimas batalhas ocorreram nos dias 26 e 27 de abril, em Collecchio, e no dia 28, em Fornovo di Taro.O efetivo da FEB que se encontrava na região estava em inferioridade numérica em relação aos alemães. Mesmo assim, os brasileiros cercaram o inimigo. Após tentativa frustrada de rompimento do cerco, foi realizada uma rápida negociação para a rendição nos dias 29 e 30 de abril dos efetivos remanescentes de três divisões inimigas: a 148ª Divisão de Infantaria e a 90ª Divisão Blindada, alemãs, e a 1ª Divisão Bersaglieri, italiana.

Ao todo, o número total de prisioneiros feitos pela FEB em Fornovo di Taro foi de 15.079, algo que não havia ocorrido até então na 2ª Guerra Mundial. Também foram recolhidos cerca de 4 mil animais e mil viaturas.

Em sua arrancada final, a FEB chegou até a cidade de Turim, e, em 2 de maio de 1945, à cidade de Susa, onde fez junção com as tropas francesas na fronteira franco-italiana.

Veteranos homenageados

O monumento reúne os nomes dos integrantes da antiga Seção Regional da FEB de Rio do Sul, compreendida entre Rodeio e Pouso Redondo, entre eles Adolfo Heckert, Adolfo Siewert, Hilário Scoz, Aleandro Stedile, Jacob Zermiani, Alcides Germano Bastos, Joaquim Odelli, Alfredo Tonet, João Marchiolli, Alex Larsen, José Bernardi, José Ferreira da Silva, Ambrósio Muller, José Hilleshein, Anibal Bogo, José Nienkotter, Anibal Nardelli, José Torquato Luiz, Aníbal Negherbon, José Weinrich, Antônio Manoel de Souza, Leopoldo Tambosi, Antônio Pereira, Leopoldo Tomelin, Arnoldo Ehrhardt, Leopoldo Venturi, Balduino Korb, Lindo Sardagna, Bruno Reblin, Lindolfo Rengel, Bruno Reich, Luiz Geraldino da Silva, Cesarino Stedile, Luiz Hercílio Macoppi, Celeste Rosa, Mario Nardelli, Dante Vendramin, Menelau Claudino, Milton de Azevedo, Dionísio João Comandolli, Nazareno Euzébio Marangoni, Domingos José Albino, Olavo André Massoni, Eleutério Sotero Ronchi, Oscar Rau, Erich Reblin, Otávio Feliz Bento, Erico Ricardo Knappmann, Paulino Venturi, Faustino Fiamoncini, Pedro Quaranton, Faustino Pasquali, Quintiliano Alves dos Santos, Florindo Erbano, Raulino Cucco, Francisco de Albuquerque, Rodolfo Lange, Francisco Tischner, Sebastião Kammer, Fredolino Ern, Severino Bonfanti, Valentim Gaspar Candinho, Germano Dellarosa, Vitório Kreusch, Gioachino Depiné, Willy Kuhl, Giuseppe Valle, Gustavo Wiggers, Willy Peters, Henrique Stofella e Henrique Zucchi.