Presidente Getúlio celebra 122 anos entre memória, imigração e desenvolvimento no Alto Vale

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Jor. Marcelo Zemke

Município carrega em sua trajetória as marcas da colonização europeia, do período do Nacionalismo e da formação histórica do Vale do Itajaí

Fotos Arquivo Público PG

O município de Presidente Getúlio celebra neste 1º de junho seus 122 anos de fundação, carregando uma história marcada pela imigração europeia, pela colonização do Vale do Itajaí e pelos acontecimentos políticos que transformaram a região ao longo do século XX.

A origem da cidade remonta ao ano de 1904, quando um grupo de doze famílias de imigrantes suíços chegou à região acompanhada pelo engenheiro Karl Alexander von Wettstein, ligado à Sociedade Colonizadora Hanseática. Em 1º de junho daquele ano, os pioneiros derrubaram a primeira árvore e deram ao local o nome de Neu Zürich, em homenagem à cidade suíça de Zürich.

Na época, a região fazia parte da antiga Colônia Hammonia, pertencente ao vasto território da Colônia Blumenau, uma das principais áreas de colonização alemã em Santa Catarina.

Além dos suíços, a região recebeu posteriormente famílias alemãs e italianas, formando a base étnica e cultural do município. Os alemães se estabeleceram principalmente onde hoje está localizado o Centro de Presidente Getúlio, enquanto os italianos ocuparam áreas como Rio Ferro, Ribeirão Tucano e Mirador.

A história do município também está ligada às expedições do engenheiro Emil Odebrecht, considerado o primeiro homem branco a percorrer a região. Em 1863, durante uma expedição pelo Vale do Itajaí-Açu, Odebrecht registrou informações geográficas e descreveu características naturais da área onde décadas depois surgiria a cidade.

O desenvolvimento da localidade ocorreu às margens do Rio dos Índios e do Rio Krauel, em uma região estratégica para o avanço da colonização e da ocupação do Alto Vale do Itajaí.

Ao longo das décadas, o município passou por diferentes denominações. Em 1934, durante o processo de reorganização territorial promovido no governo de Getúlio Vargas, Neu Zürich passou a se chamar Dalbérgia e posteriormente Neu Breslau.

A mudança definitiva para Presidente Getúlio ocorreu em 30 de dezembro de 1953, por meio da Lei nº 133 da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, homenageando o então presidente Getúlio Vargas.

O período do Nacionalismo durante o governo Vargas marcou profundamente as comunidades de origem alemã no Sul do Brasil. Em Santa Catarina, medidas de repressão cultural atingiram principalmente municípios colonizados por imigrantes germânicos, incluindo proibições ao idioma alemão, censura e intervenções políticas.

Mesmo diante das transformações históricas, Presidente Getúlio consolidou-se como uma das importantes cidades do Alto Vale do Itajaí, preservando tradições culturais, o legado da imigração e o espírito comunitário que marcou sua formação.

Hoje, aos 122 anos, o município segue escrevendo sua história entre o desenvolvimento econômico, a valorização das raízes culturais e o fortalecimento de sua identidade regional.