Familiares cobram respostas sobre desaparecimento de indígena há cinco meses em José Boiteux

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Jor. Marcelo Zemke

O desaparecimento do indígena Ndili Cuita Amandio, de 52 anos, completou cinco meses e segue cercado de mistério e angústia para a família. Morador da Terra Indígena Laklãnõ/Xokleng, Ndili desapareceu após deixar o centro de José Boiteux, onde trabalhava durante a safra do fumo.

Segundo familiares, o último contato aconteceu por telefone no dia 25 de dezembro de 2025. Na ocasião, Ndili informou ao irmão e ao pai que seguiria do centro de José Boiteux para a Aldeia Bugio, uma das comunidades mais afastadas da terra indígena, onde vivem parentes. No entanto, ele nunca chegou ao destino.

De acordo com relatos de familiares, Ndili havia ido morar na cidade, onde ficou por cerca de três meses para trabalhar ajudando agricultores na colheita de fumo. Descrito pelos familiares como um homem trabalhador, pai de família e avô, ele nunca mais foi visto desde então.

Uma familiar de Ndili entrou em contato com a reportagem e fez um apelo emocionado pedindo apoio das autoridades, da comunidade e de órgãos competentes para esclarecer o caso.

“Ele não era um homem mau. Era trabalhador, pai de família, avô. A gente não sabe mais aonde recorrer. Pedimos socorro para que a Justiça nos ajude a descobrir o que aconteceu”, disse.

A fonte afirma que procurou auxílio da FUNAI e também repassou informações e pistas às autoridades policiais, mas relata que até agora não recebeu respostas concretas sobre o andamento das investigações.

Ainda segundo os familiares, houve denúncias indicando um possível local onde o corpo poderia estar enterrado. As informações foram encaminhadas à Polícia Civil, que realizou buscas na região, porém nada foi encontrado.

O delegado André Portela informou à impensa que a Polícia Civil realizou duas operações de buscas após receber denúncias sobre o possível paradeiro de Ndili. A primeira ocorreu durante o dia, com apoio de bombeiros e dezenas de policiais. A segunda aconteceu durante a noite, em área considerada de alto risco dentro da terra indígena. Segundo o delegado, durante uma das ações houve inclusive disparo de arma de fogo efetuado por um criminoso, mas nenhuma evidência foi localizada.

Um mês após o desaparecimento, forças de segurança realizaram uma grande operação na localidade de Canharana, próxima à Barragem Norte, em José Boiteux. Diversas pessoas foram presas, incluindo o então cacique-presidente da Terra Laklãnõ, Setembrino Kamlen. Apesar disso, a Polícia Civil não confirmou qualquer relação entre a operação e o desaparecimento de Ndili.

Enquanto o caso permanece sem solução, familiares seguem fazendo apelos públicos por respostas e pedem que qualquer informação seja repassada às autoridades ou aos contatos da família.

📞 Informações podem ser repassadas pelos telefones:
(48) 99156-8264
(48) 98843-3152

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