Família de Ana Beatriz busca apoio para acompanhar julgamento em Florianópolis

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Jor. Marcelo Zemke


Campanha solidária arrecada recursos para custear deslocamento e hospedagem durante o júri


A família de Ana Beatriz Schelter, vítima de um caso que aguarda julgamento há cerca de dez anos, iniciou uma campanha de arrecadação para custear as despesas de deslocamento até Florianópolis, onde ocorrerá o júri popular. O pedido de apoio à comunidade foi divulgado pela advogada criminalista Giliani Coelho, que atua como assistente de acusação no processo.

De acordo com a advogada, o julgamento inicialmente deveria ocorrer em Rio do Sul, cidade onde aconteceram os fatos e onde reside a família da vítima. No entanto, a defesa dos acusados solicitou o chamado desaforamento do processo, um instrumento previsto em lei que permite a transferência do julgamento para outra comarca.

Segundo Giliani Coelho, o argumento apresentado foi de que a grande repercussão do caso na região poderia influenciar os jurados. “O pedido foi analisado pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina por três desembargadores e, por dois votos a um, foi decidido pelo desaforamento do caso, deslocando o julgamento para Florianópolis”, explicou.

A decisão foi recebida com tristeza pela família. “Foi muito duro para a família receber essa decisão, porque queríamos muito que esse júri fosse realizado em Rio do Sul. Os fatos aconteceram lá, a família mora na cidade e toda a comunidade da região aguarda uma resposta para esse caso”, destacou a advogada.

Apesar da possibilidade de recorrer da decisão, a acusação optou por não apresentar recurso para evitar novos atrasos no processo.“Se tivéssemos recorrido, o julgamento poderia ser adiado por mais um ano. A família já espera por uma decisão há cerca de dez anos e não aguenta mais esperar”, afirmou.


Julgamentos serão separados

Outro desdobramento recente no processo foi a decisão do juiz do Tribunal do Júri de Florianópolis de separar os julgamentos dos acusados.

Segundo a advogada, o júri marcado para maio deste ano será realizado apenas em relação ao acusado que está preso. Os demais réus serão julgados em sessões futuras.

A medida foi adotada porque, nas sessões do tribunal do júri, há um tempo limitado para as manifestações da acusação e da defesa. Com vários acusados sendo julgados ao mesmo tempo, poderia haver prejuízo na exposição dos fatos referentes a cada um deles.


Campanha solidária

Diante da mudança do julgamento para Florianópolis, a família de Ana Beatriz iniciou uma campanha de arrecadação para custear despesas com transporte, hospedagem e alimentação.

Segundo a advogada, os pais da vítima, Cláudia e Ismael, possuem condições financeiras limitadas e o deslocamento até a capital representa um custo significativo.

“Esse júri tem grandes chances de durar mais de um dia, devido à quantidade de provas e explanações que precisam ser apresentadas. Por isso, precisamos garantir transporte, hospedagem e alimentação para que a família possa estar presente”, explicou.

A campanha de arrecadação está sendo realizada por meio de uma vaquinha online, e a comunidade pode contribuir acessando o link:
https://www.vakinha.com.br/vaquinha/ajude-a-familia-de-ana-beatriz-a-estar-presente-no-dia-do-julgamento

A advogada reforça que a presença da família no julgamento é considerada fundamental neste momento decisivo do processo.“Contamos com o apoio e a solidariedade da comunidade para garantir que a família possa participar desse julgamento, que é tão importante”, concluiu Giliani.