Dados foram apresentados pela Polícia Militar durante participação na Tribuna Cultural da Câmara de Vereadores


Os números são objetivos, mas revelam uma realidade preocupante em Ibirama. Em 2025, foram registradas 215 ocorrências de violência doméstica contra mulheres no município, além de mais de 200 medidas protetivas determinadas pela Justiça para garantir a segurança das vítimas.
Os dados foram apresentados na noite desta segunda-feira (9) durante a participação da sargento Soaine Carla Rodrigues, da Polícia Militar, na Tribuna Cultural da Câmara de Vereadores de Ibirama. A exposição teve como foco o fortalecimento das redes de apoio e proteção às mulheres, tema que ganha ainda mais relevância neste período em que se destaca o mês da mulher.
Violência pode começar de forma silenciosa
Durante a apresentação, a sargento destacou que a violência doméstica nem sempre se inicia com agressões físicas. Muitas vezes, começa com ameaças, humilhações, controle, perseguições e outras formas de violência psicológica, que podem evoluir para situações mais graves.
Para enfrentar essa realidade, a Polícia Militar atua no município por meio da Rede Catarina de Proteção à Mulher, programa que acompanha vítimas de violência doméstica e busca prevenir novos episódios.
Ao lado do tenente Thiago Piva, comandante da companhia, a policial explicou que o trabalho envolve mais do que o atendimento das ocorrências. A atuação inclui articulação com instituições, acompanhamento das vítimas e ações de conscientização na comunidade.
Segundo ela, a prevenção também faz parte da estratégia de segurança pública.
“Nos dedicamos a essa ação porque consideramos estratégico atuar antes de qualquer violência acontecer, com foco em mudança cultural”, afirmou.
Ferramentas de proteção
Outro recurso apresentado foi o chamado “botão do pânico”, disponível em aplicativos de segurança pública de Santa Catarina. A ferramenta permite que mulheres que possuem medida protetiva acionem rapidamente a Polícia Militar caso o agressor descumpra a determinação judicial.
A presença da Polícia Militar na tribuna também abriu espaço para reflexões entre os vereadores sobre a necessidade de ampliar o debate público sobre o tema.
O presidente da Câmara de Vereadores, Valdemar Schaefer, destacou que a violência contra a mulher não pode ser tratada como algo normal ou tolerável. “É inadmissível que, em pleno século XXI, ainda convivamos com casos de agressão contra mulheres. Precisamos fortalecer a rede de proteção e estimular a denúncia”, afirmou.
Mobilização da sociedade
A discussão reforça que o enfrentamento da violência doméstica exige uma ação conjunta entre poder público, instituições e sociedade, garantindo que as vítimas tenham acesso a proteção, apoio e mecanismos de denúncia.
Mais do que números, os dados apresentados evidenciam a importância de fortalecer políticas públicas e ampliar a conscientização, para que cada vez mais mulheres possam viver com segurança, dignidade e respeito.




