Alta do petróleo pressiona preços e postos da região alertam para oscilações nos combustíveis

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Jor. Marcelo Zemke

Gasolina e diesel registram reajustes nos últimos dias; abastecimento segue normal, mas setor acompanha cenário internacional

O aumento das tensões geopolíticas no cenário internacional, especialmente os conflitos no Oriente Médio, começa a refletir também no mercado de combustíveis no Brasil. A elevação do preço do petróleo no mercado global tem provocado oscilações no valor do diesel e da gasolina, impactando a cadeia de abastecimento.

O aumento está relacionado ao valor do barril de petróleo negociado internacionalmente. Apesar disso, a Petrobras não realizou reajustes oficiais em seus preços até o momento.

Postos da região acompanham cenário

Diante desse contexto, postos de combustíveis da região informam que acompanham com atenção as mudanças no mercado e os impactos provocados pela instabilidade internacional. Um posto de Lontras publicou uma nota informando que “tem trabalhado intensamente para minimizar os impactos para os clientes”, e se comprometeu em “manter o abastecimento regular em nas unidades e continuar oferecendo preços justos e competitivos, dentro das possibilidades do mercado”.

Segundo empresários do setor, as oscilações no preço do petróleo têm reflexo direto no custo de aquisição dos combustíveis, especialmente do diesel, gerando reajustes e instabilidade nos valores praticados no mercado.

Mesmo com as variações, os postos destacam que estão trabalhando para manter o abastecimento regular e minimizar impactos aos consumidores, buscando manter preços dentro das condições do mercado.

Cadeia de comercialização sob pressão

O Brasil também começou a registrar dificuldades na cadeia de comercialização de diesel, especialmente após a rápida valorização do petróleo no mercado internacional. Em apenas uma semana, o barril chegou a subir cerca de US$ 20, pressionando distribuidores e revendedores.

Produtores rurais do Rio Grande do Sul relataram dificuldades para receber diesel nos últimos dias, justamente em um momento importante para o campo, com a colheita da safra de verão, principalmente de soja e arroz.

Segundo a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), transportadores responsáveis pela entrega do combustível nas propriedades afirmaram que houve interrupções nas entregas. No entanto, o problema estaria ligado principalmente à dinâmica de comercialização, e não à falta de produto.

Sem falta de combustível

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) informou que não há falta de diesel no país. A produção e a distribuição seguem ocorrendo normalmente, inclusive pela Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), da Petrobras, que abastece grande parte da região Sul.

Importadores também afirmaram que os estoques seguem abastecidos, inclusive no Porto de Paranaguá (PR), um dos principais pontos de entrada do combustível no país.

A ANP informou ainda que notificou distribuidoras para que apresentem dados sobre estoques, pedidos e volumes efetivamente entregues, com o objetivo de identificar possíveis gargalos na cadeia de distribuição. O órgão também afirmou que poderá investigar eventuais aumentos considerados abusivos, em parceria com órgãos de defesa do consumidor.

Especialistas do setor lembram que situações semelhantes já ocorreram em períodos de forte alta do petróleo no mercado internacional, como após a pandemia e durante o início da guerra entre Rússia e Ucrânia.