Brasil é o primeiro país do mundo a oferecer novo tratamento de dose única contra malária para crianças no SUS

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Matheus Cerqueira

Medicamento substitui terapia de 14 dias por apenas uma dose; foco inicial são áreas indígenas e a região Amazônica, que concentra 99% dos casos.

BRASÍLIA / AMAZÔNIA – O Ministério da Saúde iniciou a distribuição de um novo tratamento contra a malária voltado especificamente para crianças menores de 16 anos. Com o uso da tafenoquina pediátrica (50 mg), o Brasil torna-se a primeira nação a disponibilizar essa tecnologia em seu sistema público de saúde. O público infantil hoje responde por cerca de 50% dos casos da doença no país.

Praticidade e Adesão A grande inovação reside na forma de administração. Até então, o tratamento para a malária vivax exigia até 14 dias de medicação, o que dificultava a conclusão da terapia por parte das famílias. O novo fármaco é administrado em dose única, garantindo a eliminação do parasita e prevenindo recaídas de forma muito mais simples e eficaz.

Distribuição Estratégica O governo investiu R$ 970 mil na compra de mais de 126 mil comprimidos. As doses estão sendo enviadas prioritariamente para áreas de alta incidência na Amazônia, como os Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs) Yanomami, Alto Rio Negro e Vale do Javari. Somente o território Yanomami recebeu 14.550 comprimidos nesta primeira fase.

Queda nos Indicadores O anúncio ocorre em um momento de números positivos no combate à doença:

  • Menor número de casos: Em 2025, o Brasil registrou 120.659 casos, o menor índice desde 1979.
  • Redução de óbitos: No território Yanomami, a intensificação de testes e diagnósticos resultou em uma queda de 70% nas mortes pela doença entre 2023 e 2025.
  • Foco Regional: A Amazônia ainda concentra 99% dos registros nacionais, reforçando a necessidade de tratamentos mais eficientes para áreas de difícil acesso.

Critérios para Uso: O medicamento é indicado para crianças com malária vivax que pesem entre 10 kg e 35 kg. Não deve ser utilizado por gestantes ou lactantes.

Fonte: Agência Brasil / Redação Rede Vale Norte