Ibama e ICMBio aplicam mais de R$ 320 mil em multas durante operação contra extração ilegal de palmito na região, incluindo Ibirama

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Jor. Marcelo Zemke

O Ibama e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) realizaram, entre os dias 6 e 10 de outubro, uma ampla operação de fiscalização em indústrias e fábricas de conserva de palmito nos municípios de Ascurra, Blumenau, Botuverá, Brusque, Gaspar, Guabiruba, Ibirama, Pomerode e Rio do Sul.

A Operação Euterpe 2025 teve como foco combater irregularidades na cadeia produtiva do palmito-juçara (Euterpe edulis), espécie nativa da Mata Atlântica e ameaçada de extinção. Ao todo, foram aplicadas multas que somam R$ 321,9 mil e apreendidos palmitos in natura, conservas, maquinários e equipamentos utilizados no beneficiamento ilegal.

Aves silvestres mantidas em cativeiro

Durante as inspeções, os fiscais também encontraram aves silvestres mantidas ilegalmente em cativeiro em quatro fábricas, algumas em gaiolas improvisadas e sem autorização dos órgãos ambientais. A prática é considerada crime contra a fauna silvestre, previsto na Lei nº 9.605/1998. As aves foram resgatadas e encaminhadas ao Ibama para avaliação veterinária, podendo ser reabilitadas e devolvidas à natureza.

Cadeia clandestina e fraudes

De acordo com o relatório da operação, grupos organizados atuavam no corte clandestino de palmeiras em áreas de floresta, transportando o material de forma furtiva para fábricas de beneficiamento. A produção era destinada a bares e restaurantes sem rótulo, controle sanitário ou fiscalização, e em alguns casos misturada com outras espécies, como pupunha, açaí e palmeira-real.
Os fiscais também constataram uso de documentação falsa ou adulterada para dar aparência de legalidade ao produto, o que impacta diretamente unidades de conservação federais como o Parque Nacional da Serra do Itajaí e a Floresta Nacional de Ibirama.

Riscos à saúde pública

Foram registradas condições sanitárias precárias em diversas fábricas, com palmito processado em locais sem controle de temperatura e armazenado em vidros reutilizados, sem rótulos. O Ibama alertou que o consumo desse tipo de produto representa risco de botulismo, doença grave causada pela bactéria Clostridium botulinum. Parte das amostras foi encaminhada para análise laboratorial e o restante do material foi destruído.

Fiscalização também abrangeu fábricas regularizadas

A operação inspecionou tanto unidades clandestinas quanto indústrias legalizadas, com planos de manejo, Cadastro Técnico Federal (CTF) e Documento de Origem Florestal (DOF) em dia. O objetivo é reforçar o controle e diferenciar a produção legal da ilegal, fortalecendo a cadeia produtiva regular.
A documentação da operação será encaminhada ao Ministério Público e às prefeituras municipais, que deverão apurar responsabilidades sanitárias e criminais.

Importância da palmeira-juçara

A palmeira-juçara tem papel ecológico essencial na regeneração da Mata Atlântica, servindo de alimento para mais de 60 espécies de aves e mamíferos. A extração ilegal leva à morte da planta e compromete o equilíbrio ecológico da floresta.

A Operação Euterpe 2025 faz parte de um esforço nacional de combate à exploração ilegal da juçara e ao comércio irregular de palmito, reforçando o monitoramento ambiental e a proteção da biodiversidade.

📸 Fotos: Divulgação / Ibama – ICMBio