Projeto Sorriso busca novos voluntários em Ibirama para manter viva a terapia do riso no hospital

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Jor. Marcelo Zemke

Hoje, o grupo em Ibirama conta apenas com dois integrantes ativos e busca novos doutores

Marcelo Zemke

Levar alegria para dentro do ambiente hospitalar é a missão dos voluntários do Projeto Sorriso, que atuam como “doutores palhaços” visitando pacientes internados no Hospital Doutor Waldomiro Colautti, em Ibirama. Entre brincadeiras, conversas e muito carinho, eles transformam o ambiente clínico em um espaço de acolhimento, amenizando a dor de pacientes, acompanhantes e até mesmo dos profissionais da saúde.

O Projeto Sorriso nasceu em 2005, criado por dois acadêmicos do curso de Medicina da FURB, em Blumenau. “Ele surgiu com a Mariana Fernandes e o Marcelo Zalli, que ficaram anos na coordenação geral em Blumenau. Com o tempo, o projeto foi se estendendo para outras cidades, como Gaspar, Pomerode, Timbó e, por último, aqui em Ibirama”, explica Volnei Garcia, o Dr. Pateta.

Na cidade, a iniciativa começou em 2018, trazida pelo próprio Volnei e por Rosimeire Jacinto, a Dra. Meiluquinha, com apoio da direção do hospital. “Depois de 2017 várias pessoas entraram e saíram do projeto. O voluntariado nos dias de hoje não é fácil, porque as pessoas estão na correria do trabalho, estudo e vida pessoal. Não tem sido fácil encontrar quem consiga reservar um tempo para se dedicar”, relata.

Segundo Volnei, ao longo dos anos muitos voluntários ingressaram e se dedicaram ao projeto, mas também houve saídas, especialmente diante das dificuldades da rotina. Hoje, o grupo em Ibirama conta apenas com dois integrantes ativos: o próprio Dr. Pateta e Mércio Lingner, o Dr. Gardenal. “Não queremos deixar esse trabalho tão bonito acabar. Nosso objetivo é encontrar pessoas comprometidas que tenham vontade de doar um pouco do seu tempo para levar alegria e esperança dentro do hospital”, destaca.

Como participar

O grupo busca novos voluntários para fortalecer a equipe. “A gente procura pessoas que tenham no mínimo duas horas por semana disponíveis para dedicar ao hospital. Existe um processo de inscrição, com entrevista para entender como a pessoa pode participar. Primeiro, ela acompanha algumas visitas sem se caracterizar, só para se familiarizar com o ambiente. Depois, participa de uma oficina de palhaçaria, onde aprende sobre o comportamento do palhaço de hospital, que é diferente do palhaço de circo, e escolhe o seu nome de clown”, explica Volnei.

Os interessados devem ter mais de 18 anos, equilíbrio emocional, estar com a vacinação em dia e ter disponibilidade para encontros e oficinas de aperfeiçoamento. O contato pode ser feito pelo Instagram @projetosorrisoibirama ou pelo telefone (47) 9733-9655, com Volnei Garcia ou 47 9163-5904 com Mércio.

Humanização do atendimento

Durante as visitas, os voluntários realizam atividades de palhaçaria hospitalar, uma prática inspirada no trabalho do médico americano Patch Adams, pioneiro da terapia do riso, que ficou famoso no filme do ator Robin Willians, O Amor é Contagioso.  

Com os doutores da alegria, o  contato vai muito além das brincadeiras: inclui conversas com pacientes, acompanhantes e profissionais de saúde, contribuindo para tornar o ambiente mais humano e acolhedor.

“Já foi comprovado que o palhaço no hospital é uma maneira de humanização. Nosso papel é trazer alegria, acalento e amenizar a dor. Às vezes, uma simples conversa já faz toda a diferença, tanto para o paciente e o acompanhante quanto para os enfermeiros e médicos que enfrentam a pressão do dia a dia”, ressalta Dr. Pateta.

A importância de manter viva a iniciativa

Para os integrantes, o maior desafio tem sido manter o projeto ativo diante da falta de voluntários. “O voluntariado não é fácil, mas a recompensa está em cada sorriso que recebemos de volta. Nossa mensagem para a comunidade é que esse trabalho precisa continuar, porque ele transforma vidas”, afirma Dr. Pateta.

Ele finaliza lembrando uma frase inspirada no filme que deu visibilidade ao movimento dos palhaços de hospital:
“Rir é contagioso e pode ser o melhor remédio. É isso que levamos dentro do hospital: amor, alegria e esperança.”