Perda de habitat destes animais motiva o aparecimento de serpentes em áreas urbanas.
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Por Marcelo Zemke Rede Vale Norte
Nas últimas semanas, Ibirama e outras cidades de Santa Catarina foram destaque na mídia por conta de capturas de serpentes pelos bombeiros em residências e também nas áreas centrais dos municípios. As ocorrências chamaram a atenção por ser tratarem de espécies peçonhentas como a jararaca e a coral verdadeira – considerada a mais venenosa do Brasil.
Em Ibirama, uma cobra-coral verdadeira também foi capturara próximo de um gato de estimação em uma casa. Dias depois, houve a captura na garagem de um prédio na Rua Blumenau e outra, medindo cerca de 60 cm, foi capturada pelos Bombeiros Voluntários na segunda-feira, dia 1.º, também na Rua Blumenau. Outra foi capturada em Vitor Meireles, na garagem de uma casa.
Já no Centro, duas jararacas foram capturadas na calçada da rua Tiradentes, uma delas em frente à agência da Caixa Econômica Federal, local que normalmente concentra grande número de pessoas. Todas as serpentes foram devolvidas à natureza em segurança.
Segundo informado pelo comandante dos bombeiros, Rudinei Pinsegher, houve um aumento significativo deste tipo de ocorrência em Ibirama. Segundo o relatório das ocorrências, somente este ano, foram capturadas 14 serpentes coral em Ibirama, sendo seis no mês de outubro, e outras 21 jararacas. “As ocorrências para a captura de animais peçonhentos aumentam nesta época do ano. Orientamos à nossa comunidade, que ao se deparar com uma serpente e se ela oferecer risco a animais domésticos e pessoas, que acione o serviço de emergência para evitar acidentes. Jamais tente capturar, espantar ou abater o animal”.
Além de jararacas e corais, os bombeiros já realizaram a captura de cerca de 130 animais silvestres neste ano, entre eles lagartos, gambás e caninanas. Em relação ao ano passado, houve um aumento de 12,5% deste tipo de ocorrência.
Cobras peçonhentas no perímetro urbano
Conforme informações repassadas pelo biólogo Murilo Cristóvão, assim como em Ibirama, muitas cidades do Estado estão registrando o aparecimento de cobras no perímetro urbano. A elevação da temperatura, construções próximas à região de mata e destruição do habitat são fatores que ajudam a explicar, as aparições de serpentes em áreas urbanas das cidades. “São amimais silvestres e já se encontravam onde hoje existem as cidades e outras muitas das vezes vêm transportadas para dentro de nossos jardins, por isso muito cuidado quando trazem bromélias nativas da mata, pois além de ser proibido é um ótimo esconderijo para as cobras”, informou.
Ele destaca que as cobras se adaptaram às ocupações e dividem espaço com as habitações. “Estes animais já estavam onde foram construídas as casas e se adaptaram muito bem, pois além de abrigo elas têm muita comida como os ratos. Mas, um aviso: nem toda cobra é venenosa, temos que substituir o temor, muitas vezes provocado pela aparição de cobras, pelo conhecimento da importância desses animais e dos cuidados que devem ser tomados para evitar acidentes”, avalia.
Acidentes
O veneno das serpentes pode levar o indivíduo picado à morte, caso não haja socorro médico e aplicação de soro antiofídico. “Sempre que for pegar algo no chão, ou caminhar na mata, deve-se usar um calçado, de preferência uma bota, e prestar muita atenção por onde pisa. Mas, é de grande importância que a manutenção e limpeza de jardins e áreas externas sejam feitas usando equipamento de proteção individual: perneira, tornozeleira e luvas. Também se deve evitar tirar mato com as mãos, pois 90% dos acidentes com jararacuçu ocorrem até a altura do joelho, pés, mãos e braço. No caso de um acidente envolvendo uma serpente, uma das primeiras coisas é manter a calma”, orienta.
O ideal é que, estando em qualquer centro urbano, a pessoa seja encaminhada o mais rápido possível a uma unidade de saúde e informar o profissional de saúde sobre a serpente que provocou o acidente para que este possa determinar a administração de soro antiofídico e qual tipo de soro deve ser usado. “Deve-se, no máximo, lavar o local e procurar manter a pessoa calma, sentada ou deitada, evitando caminhadas, pois no caso da picada de uma serpente venenosa quanto mais se aumenta a circulação sanguínea, mais o veneno é distribuído pelo corpo”.
Serpentário
Além de importantes predadores no ecossistema, as serpentes também são reconhecidas como importantes fontes de pesquisa.
O biólogo é defensor da instalação de um Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS), com um serpentário. “Ibirama é um ótimo lugar e poderá atender o Alto Vale, Vale Norte e Médio Vale, e isto a ONG Socioambiental ACADEMA já vem falando há mais de 20 anos, mas infelizmente esta causa não é defendida pelos nossos políticos atuais”, lamenta o biólogo Murilo Cristóvão.
Identificação de espécies
Segundo informado pelo biólogo ao JVN, a cobra-coral tem o hábito diurno e noturno, é ativa sob o solo e folhagens. Possui um anel preto com bordas brancas, entre anéis vermelhos. É muito venenosa, porém ela não pica (não dá bote). “Ela morde, e, como sua boca e dentes são pequenos, acaba segurando suas presas que geralmente são outras espécies de cobras. Os acidentes com esta espécie só ocorrem se alguém tentar capturá-la (ela tem medo das pessoas) ou for pisoteada, mas sua cor muito vistosa a faz ser facilmente notada”.
A jararacuçu tem o hábito diurno e noturno e pode atingir mais de dois metros e possui dentes anteriores ocos onde tem o veneno para caçar. “Este animal possui desenhos que lhe proporcionam uma ótima camuflagem, o que torna difícil a visualização do animal, mesmo para olhos experientes”, informou Murilo.




